A China é um grande país. Em vários sentidos. Mas vou poupá-lo(a)... não vou aqui reproduzir as mil razões que levaram a China a crescer tanto. Isso você vai encontrar em inúmeras matérias nos jornais e periódicos.
Vou aqui comentar sobre o
Mandarim, o dialeto mais falado na China e também falado em Taiwan, Malásia e Cingapura.
Para colocar em perspectiva:
- A língua portuguesa, mesmo considerando o Brasil, Portugal, todos os países da África onde se fala Português e até algumas comunidades nos Estados Unidos, Suíça e Japão, é falada por um total de 200 milhões de pessoas.
- A língua inglesa é falada hoje por cerca de 556 milhões de pessoas, incluindo as que têm como segunda língua.
- Só o Mandarim (sem considerar outros dialetos da língua chinesa) é falado por mais de 1 bilhão de pessoas! Um sexto do planeta.
Se você começa a desconfiar que falar Mandarim pode ser interessante para seu futuro, existem outras 30 milhões de pessoas que concordam com você. Esse é o número de pessoas que estão estudando Mandarim fora da China, e existem movimentos para que esse número cresça para 100 milhões em 2007.
Há alguns meses atrás eu decidi aprender Mandarim e me matriculei em uma escola sem saber exatamente o que esperar. Fui empolgado pela perspectiva do Mandarim ser um diferencial profissional no futuro. Visionário? Não sei... Só sei que meu pai foi um visionário quando me matriculou numa escola de inglês aos nove anos de idade. Hoje o inglês fluente abre muitas portas. Quem sabe o Mandarim fluente me abra valiosas portas daqui uns 10 anos.
Ah... é verdade que existem milhões de chineses aprendendo inglês. Mas decidi não esperar. Na vida profissional ou você senta e espera chover dinheiro no colo, ou você toma as rédeas de seu futuro e corre atrás de seu diferencial competitivo.
O mais legal é que apesar de ter me matriculado meio "forçado" por mim mesmo, como quem faz um investimento sem ter convicção, isso já não mais importa! É que o próprio processo de aprendizagem do Mandarim é um desafio interessantíssmo, e caiu no meu gosto. Tanto a parte escrita quando a falada nitidamente mexem com áreas do cérebro que não costumamos usar para nos comunicar. Falar é quase como cantar, onde uma mínima variação de tom em uma sílaba dá outro sentido completamente diferente á frase inteira. Escrever é desenhar, é uma arte onde garranchos não são permitidos. Mas a beleza é sentir que você está forçando seus neurônios a criar novas conexões a cada frase que se tenta pronunciar com a entonação correta. Não é à toa que os melhores alunos da escola são os que tocam algum instrumento musical. É como se tivessem uma vantagem inicial de ter o cérebro pré-formatado para o processo de aprendizagem do Mandarim.
Os outros, como eu, que não tocam nenhum instrumento simplesmente têm que estudar mais para acompanhar o ritmo da turma.
O desafio de memorizar pelo menos 4 ou 5 mil ideogramas, seus significados e sons só para poder começar a entender um jornal e bater um papo é único, e parece muito distante. Mas não desanimo, justamente por que a cada aula noto um pequeno avanço. O professor lê um texto rapidamente e nos diz que nos próximos 3 meses estaremos lendo tão rápido quanto ele. Na hora parece uma tarefa impossível, mas a soma dos pequenos avanços a cada semana culmina com o atingimento do objetivo nos 3 meses programados, como se fosse mágica.
Na última aula um colega da sala disse algo do tipo: "Toda grande caminhada começa pelo primeiro passo". Sim, é um velho clichê. Mas é verdadeiro neste caso. E acho que já demos uma meia dúzia de passos na direção certa.